Aprofundar as mudanças para ampliar direitos e viver com dignidade
A conjuntura atual indica um processo acirrado de
disputa em torno de qual será o melhor projeto para o Brasil. As eleições de
2010 podem significar, então, para a classe trabalhadora brasileira, a garantia
da continuidade e aprofundamento de políticas que corroboram com nossas
concepções democráticas e socialistas ou, o retorno ao passado recolocando-se a
possibilidade da retomada das políticas neoliberais privatizantes e de
confronto com os movimentos sociais. Implica compreendermos que se trata de uma
disputa com o grande capital, especialmente o financeiro, com a mídia
conservadora e contra os interesses organizados contrários às mudanças de
interesse da classe trabalhadora, do povo brasileiro.
A Central única dos Trabalhadores, com o papel
protagonista que tem desempenhado desde a sua origem no enfrentamento dos
grandes temas nacionais, não medirá esforços para impedir retrocessos em
relação aos avanços conquistados nos últimos oito anos e para aprofundar as
mudanças. Nesse sentido, a CUT intensificará sua estratégia organizativa e de
lutas pela consolidação de um modelo de desenvolvimento que tenha como elementos
decisivos a valorização do trabalho, a distribuição de renda e a participação
popular, com propostas claras para um projeto nacional de desenvolvimento,
consubstanciadas nas diretrizes expressas na Plataforma da CUT para as
Eleições 2010, principal ferramenta que orientará nossa intervenção nesta
disputa.
Enfrentar a crise valorizando o trabalho e
distribuindo renda
Uma das tarefas principais dessa estratégia é
disputar os rumos do desenvolvimento do país, intensificar o processo de
debates e formulações, elevar o grau de consciência da classe trabalhadora
sobre a importância do Estado como indutor do desenvolvimento e promotor da
cidadania através do investimento em políticas públicas, reduzindo as
desigualdades sócio-econômicas. E, com isso, ampliar os espaços para
influenciar no enfrentamento da crise visando não apenas a retomada do
crescimento econômico; mas, essencialmente construir iniciativas que resultem
na criação de um modelo de desenvolvimento alternativo ao hegemônico.
O 10º CONCUT apontou que as implicações da crise
mundial no mundo do trabalho nos impunham a tarefa de “enfrentar a crise
ampliando a luta de classe e organizando a transição para um novo modelo de
desenvolvimento". E que o centro da nossa estratégia é organizar a classe
trabalhadora para “construção de um modelo alternativo, democrático e
popular com horizontes transitórios para a sociedade socialista”. Portanto,
o desafio de buscar alternativas para sua superação consolidando um novo
paradigma de desenvolvimento, ambientalmente sustentável, socialmente
equitativo e geopoliticamente equilibrado, assentado na valorização do trabalho
e na participação popular.
A opção do Brasil por um processo de crescimento
econômico includente, aliando controle da inflação e das finanças públicas,
diminuindo a exposição externa, privilegiando a geração de emprego e uma maior
distribuição de renda, constituíram os pilares de fortalecimento do mercado
interno. A implantação de uma política industrial consistente, retomando os investimentos
em setores estratégicos como o setor naval e de produção de maquinários
agrícolas; a ampliação do investimento das empresas estatais; a ampliação do
crédito; as políticas públicas de transferências de renda, com programas
sociais como o Bolsa Família, Luz para Todos e o Territórios da Cidadania; os
investimentos em infra-estrutura através do PAC I e II, e a recuperação e
valorização do salário mínimo, foram iniciativas fundamentais no processo de
enfrentamento da crise e na melhora dos indicadores de qualidade de vida da
população.
Resultado importante é a ampliação da geração e
formalização de postos de trabalho e elevação da renda média, além da inserção
desses trabalhadores no sistema de Previdência Social. Além de um número
significativo de categorias que conquistaram aumento real de salário, o que
juntamente com os programas sociais de geração de renda diminui
significativamente a pobreza e a desigualdade, elevando milhares de brasileiros
à classe média, aumentando a renda do trabalho. Este processo deve ser
aprofundado, com combate à precarização e flexibilização das relações de
trabalho, com mais formalização e aumento da participação dos salários no PIB
nacional. Contudo, ainda é preciso avançar mais, especialmente no combate à
precarização e flexibilização das relações de trabalho, ampliando a
formalização de empregos, aumentando a participação dos salários no PIB
nacional como também é preciso aprimorar a relação com o movimento sindical e
social, ampliando os espaços de participação e negociação e encaminhar
favoravelmente a agenda prioritária a exemplo da redução da jornada sem redução
de salário, regulamentação da política de valorização do salário mínimo, da
Convenção 151 da OIT e a ratificação da Convenção 158.
Não temos dúvidas que o processo de globalização
neoliberal acentuou as diferenças sociais e econômicas, promovendo, em
conseqüência, uma significativa exclusão social. Há muitos anos, os
trabalhadores vêem denunciando as mazelas que resultam deste processo, cuja
início da inversão desta lógica em nosso país só foi possível em função da
opção política de promover concomitantemente um processo de crescimento
econômico com estratégias de transferência de renda e políticas públicas de
promoção da cidadania.
No entanto, a classe trabalhadora tem que manter-se
alerta porque os fundamentos da crise que assombrou o mundo nos últimos anos
não estão superados. Basta observarmos atentamente a crise pela qual passam
países como Portugal, Espanha, Itália, Irlanda e, particularmente, a Grécia. A
opção de reforço dos pilares neoliberais, recuperando o papel do FMI em
implementar a receita que repassa a conta da crise financeira aos
trabalhadores/as e setores mais vulneráveis da população deve ser repudiada. A
CUT considera que não é reforçando o protagonismo de instituições como o FMI
que haverá uma saída para a crise favorável aos interesses dos/as
trabalhadores/as e dos povos (moção abaixo).
Por outro lado, o governo brasileiro deve ampliar
as relações com os países do sul (áfrica, ásia e América Latina) demonstrando a
possibilidade de construção de outra globalização, com ações baseadas na
complementaridade e cooperação solidária e democrática. As lutas travadas no
contexto nacional e internacional, particularmente na América Latina, e
especificamente no Brasil, no âmbito institucional e sindical, têm sido de
reação política às conseqüências perversas das políticas neoliberais e
contabilizam avanços importantes em termos de conquistas sociais e sindicais,
que dialogam com os eixos estratégicos da agenda do Trabalho Decente da OIT.
Portanto, devemos intensificar nosso processo de
mobilizações através das lutas dos sindicatos e das demais organizações dos
movimentos sociais que constituem o campo democrático e popular, combinando as
reivindicações econômicas com uma ativa participação no processo
político-eleitoral, defendendo avanços rumo a um projeto de desenvolvimento
soberano, democrático, construído e sustentado em uma ampla participação
popular.
Disputar os rumos do país para fortalecer a
democracia e ampliar direitos
Defendemos um modelo de desenvolvimento que promova
o direito de viver com qualidade e dignidade e que o Estado exerça,
efetivamente, o papel de indutor desse modelo e promotor da cidadania, segundo
os princípios democráticos, assentado na constituição de esferas públicas, cada
vez mais estruturadas por processos de democracia direta e participativa e na
ampliação e garantias de direitos – especialmente os do trabalho.
Um modelo que potencialize a geração de mais e
melhores empregos, proporcionem igualdade de oportunidades e de tratamento na
perspectiva do pleno emprego e consolide uma regulação pública capaz de
proporcionar um padrão de proteção social adequado e de direitos para
trabalhadores e trabalhadoras e que a democracia participativa impere
proporcionando que a classe trabalhadora tenha voz ativa nas decisões dos rumos
do país. E, essencialmente, constitua um novo paradigma para as relações de
trabalho no Brasil, por meio de um Sistema Democrático de Relações de Trabalho,
sob a ótica do trabalho decente e pela liberdade e autonomia sindical, por meio
da ratificação da Convenção 87 da OIT – Organização Internacional do Trabalho.
A disputa que travamos em 2010 está polarizada em
torno de dois projetos antagônicos. Por um lado, a candidatura do PSDB/DEM
representa os interesses da grande mídia, do agronegócio, do capital financeiro
especulativo, da defesa do estado mínimo e auto-regulação do mercado com
redução do investimento social, a criminalização dos movimentos sociais e,
principalmente, a subordinação do Brasil aos interesses do capital
internacional com seu fundamentalismo neoliberal.
De outro, a que representa a continuidade da
ruptura com o modelo de desenvolvimento econômico neoliberal instaurado no
Brasil, que tem maior identidade com as diretrizes expressas na Plataforma da
CUT para as eleições 2010, como imperativo ao aprofundamento das mudanças.
Ao apresentarmos a nossa Plataforma para as
Eleições 2010 como orientadora da ação sindical na disputa eleitoral, aos
partidos de esquerda, aos movimentos sociais populares e ao conjunto do povo
brasileiro, reafirmamos nossa autonomia.
Temos convicção que a única pré-candidatura capaz
de assumi-la é a da companheira Dilma Rousseff! Pois
está comprometida com as mudanças que interessam à classe trabalhadora, é capaz
de conduzir o Brasil a condição de uma das maiores e mais consistentes
economias mundiais, com a consolidação de uma nação que valoriza a diversidade
e fortalece as identidades política e social presentes em cada uma das regiões
do país.
A CUT tem lado: o da defesa intransigente dos
interesses da classe trabalhadora. Por isso, desempenhará papel fundamental, não
apenas nesse período, mas também após as eleições, pressionando o futuro
governo para construir iniciativas de aprofundamento da democracia no Brasil.
Organizar a classe para cumprir esse objetivo é tarefa que assumimos; como
compromisso de homens e mulheres, do campo e da cidade.
A agenda de mobilização
A agenda de mobilizações está organizada em torno
da busca por unificação das lutas sociais com outros movimentos populares e por
ampliar a ação da base sindical cutista.
A Plataforma da CUT para as eleições 2010,
que tem como diretrizes: Valorização do Trabalho, Igualdade, inclusão e
distribuição de renda e Estado democrático, com caratê público e participação
ativa da sociedade; o Projeto Nacional e Popular dos Movimentos Sociais
a ser lançado em Assembléia Nacional no dia 31 de maio e a Pauta da
Classe Trabalhadora elaborada pelo conjunto das Centrais Sindicais e
que será apresentado no dia 1 de junho, e ainda, aliando mobilização à
negociação, a luta pela Redução da Jornada de Trabalho sem Redução de
salários, materializada no Dia Nacional de Mobilização – 18 de maio, o
Festival das Juventudes em Fortaleza nos dias 03 a 06 de junho, são ações e
instrumentos de proposição essenciais a serem utilizados nos diversos espaços
políticos/institucionais que participamos, articulando-os à estratégia geral da
CUT, de disputa de hegemonia na sociedade.
A Plataforma da CUT para as Eleições 2010
foi lançada nos atos de 1º de Maio em todos os estados do país. é tarefa
central da militância da CUTista transformar essa ferramenta em instrumento de
mobilização e conscientização da classe trabalhadora. Deve ser utilizada também
para posicionar o movimento sindical cutista nas disputas eleitorais nos
estados e para garantir que as diversas candidaturas do nosso campo
comprometam-se com as reivindicações da classe trabalhadora. Porque é preciso,
eleger uma bancada parlamentar e governos estaduais comprometidos com nosso
projeto, contribuindo para aprofundar as mudanças e consolidar um modelo de
desenvolvimento sustentável, com soberania e democracia.
Moção em solidariedade à luta da
classe trabalhadora da Grécia
A Direção Nacional da CUT, reunida em
Brasília nos dias 12 e 13 de maio, manifesta sua completa solidariedade à luta
em curso dos trabalhadores e trabalhadoras gregos e às suas organizações
sindicais (ver nomes corretos: GKEE e Adipe) contra a aplicação dos planos de
“austeridade” emanados da União Européia e do FMI.
Constatamos que o FMI continua a exigir
medidas de arrocho salarial, corte de aposentadorias e destruição dos serviços
públicos como “condicionantes” para a liberação de empréstimos, isto é, segue
insistindo na mesma política que esteve na base da própria crise que, iniciada
nos EUA em 2008, hoje atinge em cheio os países da União Européia, pois além da
Grécia, também na Espanha, Portugal, Itália, França e Reino Unido, governos
adotam ou preparam medidas de ataques aos salários, direitos sociais e serviços
públicos em nome de combater os enormes déficits públicos, devidos fundamentalmente
às operações de salvamento dos bancos privados com recursos públicos.
A crise pela qual passa a Grécia não
foi causada pelos trabalhadores, ao contrário, é um reflexo de um sistema
econômico esgotado, que privilegia a especulação. Não é possível, com a
justificativa de superar a crise, continuar aceitando que o FMI e a União
Européia apliquem o mesmo receituário que foi na verdade o causador da crise,
ou seja, baixos salários, emprego precário e previdência pública inexistente ou
precária.