|
Cerca de 30 mil
novos empregos poderão ser gerados no Pólo Industrial de Manaus se a jornada de
trabalho for reduzida de 44 para 40 horas semanais. A conclusão é do
Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos – Dieese,
que nesta quarta-feira concluiu a IV jornada de debates que teve como tema
“Negociações Coletivas em 2010: Recuperação Salarial e Redução da Jornada de
Trabalho”.
O supervisor
técnico da entidade no estado do Paraná, Cid Cordeiro, disse que no Brasil poderão
ser criados pelo menos mais dois milhões e meio de empregos com a mudança da
jornada semanal de trabalho. O Brasil, segundo ele, está no topo dos países com
a mais longa jornada de trabalho.
Além de
possibilitar a geração de novos empregos, a jornada reduzida produz outros
benefícios. Para muitos trabalhadores, representa mais tempo junto com a
família, possibilidade de investir em qualificação profissional, menos stress
e, por conseguinte, mais saúde.
“Imagine se, por exemplo, um trabalhador da
construção civil, submetido a jornada intensa e condições precárias de
trabalho, tem condições de pensar em se qualificar. No entanto, o que muitos
empresários do setor dizem que tem emprego mas não tem mão-de-obra
qualificada”, exemplifica Alessandra Cadamuro, supervisora técnica do Dieese no
Amazonas. Ainda segundo ela, por causa das jornadas extensas, intensas e
imprevisíveis, os trabalhadores têm ficado cada vez mais doentes. Além do
stress são freqüentes casos de depressão, hipertensão, distúrbios no sono e
lesões por esforços repetitivos.
Cid Cordeiro destaca que muitas conquistas alcançadas
pelas diversas categorias de trabalhadores nos últimos oito anos foram
resultados das mobilizações do movimento sindical. “Essa mobilização não pode
parar, não importa quem esteja à frente do governo, para que essas conquistas
não sejam perdidas”, disse Cordeiro.
O encerramento da IV Jornada de Debates promovido
pelo Dieese, no auditório do Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil, teve a participação de dirigentes
sindicais da Central única dos Trabalhadores – CUT, União Geral dos
Trabalhadores - UGT, Central Geral dos Trabalhadores Brasileiros - CGTB, Nova
Central Sindical dos Trabalhadores - NCST e Central dos Trabalhadores do Brasil
- CTB. |